O Rosário - Dom Antônio de Castro Mayer

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Monitor Campista, 07/10/1984
Heri et Hodie, nº 14, outubro de 1984

A Sagrada Liturgia saúda a Maria como vencedora, sozinha, de todas as heresias do mundo (Ant. do 3º not. do Of. Comum de Nossa Senhora)

Destas salutares proezas da Virgem Santíssima ficou especialmente marcada, na História, a vitória sobre os albigenses, esses maniqueus da Idade Média, que infestaram, sobretudo, a França e o norte da Itália. Contra eles, segundo consta, serviu-se São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores, da difusão da reza do Santo Rosário entre o povo fiel.

É oportuno salientar certa analogia entre várias posições dos hereges albigenses e os progressistas da igreja nova. Os albigenses negavam a Presença Real de Jesus Cristo na SS. Eucaristia, negavam igualmente a transubstanciação, admitiam o batismo só para adulto, opunham-se ao culto das imagens, eram contra a guerra mesmo defensiva, etc.

Em termos assim tão taxativos, não cremos haja progressistas que subscrevam as heresias dos albigenses. Porém, que na igreja nova se nota uma espécie de ojeriza pelas imagens, é coisa evidente, quando elas são desalojadas dos templos. Também o novo ordo da Missa obscurece a Fé na Transubstanciação, de que não fala, e na Presença Real, que não salienta como a anterior ao Vaticano II. Assim igualmente há quem peça o batismo só para os adultos com capacidade de escolher. Mais ou menos como seria a mãe que não alimentasse o filho de colo, porque não sabe se ele vai realmente desejar viver!

De maneira que hoje, como nos tempos dos albigenses, como sempre, é de suma importância a devoção do Sacratíssimo Rosário da Bem-Aventurada Virgem Maria.

Na festa de Nossa Senhora do Rosário, hoje, 7 de outubro, convém salientar a grande atualidade da reza frequente, mesmo quotidiana, do Rosário, ou ao menos, do Santo Terço.

O Segredo de Fátima (Dom Antônio de Castro Mayer)

sexta-feira, 13 de maio de 2016




            Como Lourdes, no século passado, assim Fátima é o acontecimento mais saliente de nosso século. Daí, todo interesse que despertam, mesmo fora dos ambientes católicos, as conversas mantidas pelos pequenos pastorinhos de Aljustrel com a Mão Santíssima de Deus.

            Semelhante assunto constitui objeto de um artigo do tablóide romano Si Si No No de fevereiro, escrito por quem melhor conhece o assunto, o Irmão Miguel da SS. Trindade, do Instituto Contre Reforme Catholique, do Abbé de Nantes.

De si o segredo é um só, diz a principal das videntes, a Irmã Lúcia, que envolve três coisas distintas: a primeira, é a visão do inferno e a apresentação do Imaculado Coração de Maria como remédio supremo oferecido por Deus à humanidade para a salvação das almas: “para salvá-las, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado”, a segunda é a profecia sobre a paz que será concedida ao Mundo, como fruto da consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria e a prática da Comunhão reparadora nos primeiros sábados do mês.

            Em 1941, a Irmã Lúcia afirmou que não poderia revelar a terceira parte do segredo. Em junho de 1943, enfermou gravemente, em Tuy na Espanha. Estava com as Dorotéias. Mons. Silva, Bispo de Leiria, ficou receoso de que a vidente levasse o segredo ao túmulo. Pelo que, instigado por seu confidente e amigo, Cônego Galamba, levou Irmã Lúcia a escrever desde logo o texto do segredo e encerrá-lo em envelope lacrado, a ser aberto mais tarde. Embora seu primeiro destinatário, Mons. Silva não quis tê-lo; ficou então assentado que, na eventualidade do seu falecimento, o envelope seria encaminhado ao Cardeal Cerejeira, Patriarca de Lisboa. Como Mons. Silva se obstinava na recusa de tomar conhecimento do texto secreto, Irmã Lúcia levou-o a comprometer-se que o terceiro segredo seria aberto e lido ao mundo por ocasião de sua morte, ou em 1960. Não há dúvida de que estas disposições provinham da própria Virgem Maria.

O Concílio e Fátima

- Dom Antônio de Castro Mayer
 
            Numa das aparições com que sua materna solicitude nos visitou na pessoa da Irmã Lúcia, em Fátima, a Virgem Santíssima Senhora Nossa pediu a consagração de todo o mundo, com referência especial da Rússia, ao seu Imaculado Coração. Esta consagração, segundo a promessa da Mãe de Deus, abreviaria as tribulações do Mundo, que são castigos dos pecados dos homens, e seria a salvação da Rússia. A consagração deveria ser feita pelo Papa em união com todos os bispos do Mundo. É o que Nossa Senhora pediu em 1929, numa de suas aparições fora da Cova da Iria.
 

Cento e cinquenta diamantes

sábado, 2 de abril de 2016


"Se eu vos desse a cada dia cento e cinquenta diamantes, vós, ainda que fosseis meu inimigo, não me perdoaríeis? E, se fosse amigo, não me faríeis todos os favores que estivessem ao vosso alcance? Pois se quiserdes vos enriquecer dos bens de graça e de glória, saudai a Santíssima Virgem, honrai vossa boa Mãe."

-Beato Alano de La Roche

X. ALGUNS OUTROS OBSÉQUIOS

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Ntra. Sra del Refugio, Miguel Cabrera
1. Celebrar ou fazer celebrar, ou pelo menos ouvir Missa em honra da Santíssima Virgem. É verdade que o Santo Sacrifício só se pode oferecer a Deus, principalmente em reconhecimento de seu supremo domínio. Isso, porém, não impede, diz o Sagrado Concílio de Trento, que ele possa ser oferecido ao mesmo tempo a Deus para agradecer-lhe as graças concedidas aos santos e à divina Mãe, a fim de que, celebrando nós sua memória eles se dignem interceder por nós. Assim o indicam as próprias palavras da Santa Missa. Essa prática, assim como a recitação de três Pai-Nossos, Ave-Marias e Glória Patri à Santíssima Trindade, para agradecer-lhe as graças feitas a Maria, revelou a própria Santíssima Virgem a uma alma ser-lhe muito agradável. Pois, não podendo agradecer plenamente ao Senhor todos os benefícios que lhe foram concedidos, muito gosta que seus filhos a ajudem para esse fim.

IX. RECORRER FREQUENTEMENTE A MARIA


Afirmo que, entre todas as práticas devotas, nenhuma há que tanto agrade a nossa Mãe, como recorrer frequentemente à sua intercessão. Peçamos-lhe, pois, auxílio em todas as necessidades particulares. Por exemplo: quando vamos tomar ou dar conselhos, nos perigos, nas aflições e tentações, principalmente nas tentações contra a pureza. Certamente nos há de socorrer a divina Mãe, se a ela recorremos com a antífona Sub tuum praesidium, ou com a Ave-Maria, ou com a simples invocação de seu santíssimo nome, que tem uma força particular contra os demônios.

VIII. DAR ESMOLAS EM HONRA DE MARIA

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A Virgem e o Menino Jesus com São João Batista - Francisco de Zurbarán


Costumam os servos de Maria, sobretudo aos sábados, dar esmolas em sua honra. S. Gregório fala de um irmão leigo, chamado Deusdedit, que distribuiu aos pobres, no sábado, o que tinha ganho durante a semana, como sapateiro. Ora, a uma alma santa foi mostrado, em visão, um palácio suntuoso que Deus estava preparando no céu a esse servo de Maria, e em cuja construção só se trabalhava aos sábados. O santo confessor Gerardo de Monza (+ 1207) não recusava coisa alguma que lhe fosse pedida em nome de Maria. O mesmo fazia o jesuíta, padre Martinho Gutiérrez. Por essa razão, como ele mesmo confessou, nunca pediu uma graça a Maria sem que a alcançasse. Tendo sido ele morto pelos Huguenotes, apareceu a Virgem a seus companheiros com algumas virgens, pelas quais mandou envolver o corpo num lençol. S. Eberardo, Arcebispo de Salzburgo, tinha a mesma devoção. Por isso o viu um santo religioso, sob a forma de um menino, nos braços de Maria. "Eis o meu filho Eberardo, que nunca me recusou coisa alguma", disse Maria. Igual prática era usada por Alexandre de Hales. Tendo-lhe um leigo de S. Francisco pedido em nome de Maria que se fizesse franciscano, deixou ele o mundo e entrou para a Ordem.

Não deixem, pois, os devotos de Maria de dar cada dia, em sua honra, uma pequena esmola, que devem aumentar aos sábados. E se não podem fazer mais, ao menos, pelo amor de Maria, pratiquem alguma outra obra de caridade, como assistir aos enfermos, rezar pelos pecadores e pelas almas do purgatório, etc. As obras de misericórdia são muito agradáveis ao coração dessa Mãe de misericórdia.


(Glórias de Maria - Santo Afonso de Ligório)



VII. ENTRAR NAS CONGREGAÇÕES DE MARIA

Virgen de las Cuevas, Francisco de Zurbarán (Museu de belas artes - Sevilla)


Alguns há que desaprovam as congregações, dizendo que muitas vezes são fontes de litígios, e que muitos entram nelas por fins humanos. Mas assim como não se condenam as igrejas e os sacramentos por haver muitos que deles abusam, pela mesma razão não se deve condenar as confrarias. Longe de reprová-las, os Sumos Pontífices as têm com muito louvor recomendado e enriquecido seculares a entrarem nelas. E que não fez S. Carlos Borromeu para fundá-las e multiplicá-las? Em seus sínodos, sobretudo, insinua aos confessores que se esforcem para que nelas entrem os seus penitentes. E com razão, porque essas confrarias, especialmente as da Virgem, são como outras tantas arcas de Noé, onde os pobres seculares acham um refúgio contra o dilúvio. Nós, com a prática das missões, bem temos podido conhecer a utilidade dessas pias associações. Em regra geral, acham-se mais pecados em um homem que não pertence à confraria do que em vinte que a frequentam. Pode-se compará-la à torre de escudos para a defesa dos heróis" (Ct 4, 4). As confrarias proporcionam a seus congregados muitas armas de defesa contra o inferno, e fornecem-lhes, para conservar a graça divina, muitos meios que fora delas dificilmente serão empregados.

UM GRANDE DEVOTO DE MARIA



   O célebre presidente do Equador, Garcia Moreno, assassinado pela maçonaria em 1875, era devotíssimo de Nossa Senhora.

   Achando-se um dia entre operários irlandeses, que mandara vir dos Estados Unidos para montar uma serraria mecânica, interrogou-os sobre os costumes religiosos de seu país e perguntou-lhes se sabiam algum cântico em honra de Maria Santíssima.

   Os bons irlandeses puseram-se logo a cantar. Garcia Moreno ouvia-os cheio de comoção. Terminado o cântico, perguntou:

O Santo Terço - Exame de consciência

Lucas Valdés (1661-1725) - A Virgem do Rosário, São Domingos e Santa Catarina de Sena - Museu de Sevilha

(Excertos do livro: Em face do dever, Pe. G. Hoornaet, 1954)

Por ventura rezo o meu terço todos os dias, salvo impedimento absoluto? Os meus ócios, consagro-os eu, de tempos em tempos, à reza do terço?

Vemos às vezes no comboio pessoas que passam discretamente o terço. E eu sinto tal piedade? Como é que eu rezo o meu terço? Duma maneira negligente, de braços caídos, com os olhos distraídos?

Quanto tempo consagro ao terço?

Alguém pretenderá talvez rezá-lo em oito minutos porque tem a língua muito solta. Mas um terço representa cinquenta Ave-Marias e cinto Pater, cinco Glórias. Supõe-se que há meditação. E tudo isso se vai fazer em oito minutos? ...

Não somente rezemos o terço, mas rezemo-lo bem.

II de Fevereiro - Festa da Purificação de Maria e da Apresentação de Jesus

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Apresentação de Jesus no templo - Fra Angélico


(Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório para cada dia do ano)

Postquam impleti sunt dies purgationis eius... tulerunt illum in Ierusalem, ut sisterente eum Domino - "Tendo-se preenchido os dias da purificação de Maria.... levaram-no a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor" (S. Luc. 2, 22).

Summario. Imaginemos ver a Santíssima Virgem, que, chegado o tempo de sua purificação, leva consigo o santo Menino, e acompanhada de São José, vai ao templo para oferecê-lo em nome de todo o gênero humano. Entre todos os sacrifícios que até então tinham sido oferecidos, foi este o que mais agradou a Deus. Mas se Jesus oferece sua vida ao Pai por nosso amor, é de justiça que nós nos consagremos a ele. A fim de que a nossa oferta seja mais agradável a Deus, façamo-la pelas mãos de Maria.

VI. O ESCAPULÁRIO

sábado, 30 de janeiro de 2016


Certos senhorios se gloriam de ter servos que tragam suas librés. Assim Maria Santíssima também estima que seus devotos tragam seu escapulário, em sinal de que são dedicados a seu serviço e fazem parte de sua família. Pessoas sem religião riem, segundo o costume, dessa devoção; mas a Santa Igreja a tem aprovado com muitas bulas e indulgências.
 
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