A Virgem Santíssima busca um servo seu agonizante e leva-o ao Paraíso

terça-feira, 19 de março de 2013



S. João de Deus, estando para morrer, esperava a visita da Santíssima Virgem, de quem era muito devoto. Não a vendo vir, porém, entristeceu-se muito e disso queixou-se com os parentes. Eis que a seu tempo lhe aparece a Mãe de Deus e repreende-o da sua falta de confiança. Diz-lhe em seguida estas meigas palavras, que devem alentar a todos os seus servos: João, não abandono meus servos numa hora como esta! Com isso parecia querer dizer: Que estás pensando, meu caro João? Que eu te havia abandonado? Não sabes então que nunca abandono meus ser­vos, à hora da morte? Não vim mais cedo porque ainda não era tempo; agora, sim, vim te buscar; vamos juntos para o paraíso.— Pouco depois expirava o Santo (t 1550)e voava para o Céu, a dar graças a sua amantíssima Rainha, por toda a eternidade.



ORAÇÃO 


Ó minha Mãe suavíssima, qual será a morte de um pobre pecador como eu? Quando penso naquele terrível momento em que hei de expirar e comparecer ao tribunal divino, tremo e fico todo confuso, e muito duvido da minha salvação eterna, lembrando-me de que eu mesmo escrevi a sentença de minha condenação. 

O Maria, no sangue de Jesus e na vossa intercessão ponho toda a minha esperança. Sois Rainha do céu, a Soberana do universo, numa palavra, sois Mãe de Deus. É verdade que sois muito elevada em dignidade; mas vossa grandeza não vos afasta de nós, senão que faz com que tenhais ainda mais compaixão de nossas misérias. Quando elevados a alguma dignidade, abandonam os amigos do mundo e desprezam seus antigos companhei­ros caídos no infortúnio. Mas vosso coração tão amoroso não procede assim. Mais se empenha em aliviar, onde maiores misérias descobre. Assim que vos invocamos, vindes em nosso socorro: prevenis até nossas preces com vossos favores. Vós nos consolais nas aflições, dissipais as tempestades e venceis os inimigos. Em suma, nunca perdeis ensejo de trabalhar para nosso bem. Bendita seja para sempre aquela divina mão que em vós aliou a tanto amor tanta grandeza, tanta majestade e tanta ternura. Agradeço-o sem cessar ao Senhor e sobre isso me alegro. Pois em vossa felicidade encontro a minha também, e considero minha a vossa ventura. Ó consoladora dos afli­tos , consolai uma alma aflita que a vós se recomenda. Aflito estou por causa dos remorsos de uma consciência tão sobrecarregada de pecados. 

Não sei se os tenho chorado como devia. Vejo todas as minhas obras cheias de defeitos e manchas. O inferno só espera por minha morte para acusar-me; a justiça divina ultrajada quer ser satisfeita. Que será de mim, minha Mãe? Se não me ajudardes, estou perdido. Que dizeis, quereis ajudar-me? Ó Virgem piedosa, consolai- me; obtende-me verdadeiro arrependimento de meus pe­cados, alcançai-me força para emendar-me e ser fiel a Deus nos dias que ainda me restam. E quando eu me achar nas ânsias da morte, ó Maria, esperança minha, não me abandoneis. Então fortalecei-me mais do que nunca e assisti-me para que, à vista de meus pecados relembrados pelo demônio, eu não me entregue ao deses-spero. O Senhora minha, escusai tanta ousadia: vinde vós mesma consolar-me com a vossa presença. A tantos ou­tros já tendes feito semelhante graça. Fazei-a também a mim. Se grande é minha ousadia, ainda maior é vossa bondade, que anda procurando os infelizes para os conso­lar. E nesta que eu ponho minha esperança. Seja vossa eterna glória o haverdes salvo do inferno e conduzido ao vosso reino um pobre condenado. Lá espero depois consolar-me, estando sempre aos vossos pés, dando-vos graças, louvando-vos e amando-vos eternamente. Ó Ma­ria, eu espero em vós; não me deixeis ficar desconsolado. Assim seja, assim seja. Amém.


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